Papa Francisco disse que “é melhor ser ateu que católico hipócrita”?

24/02/2017 às 22:42

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Na quinta-feira, 23 de fevereiro, a homilia do Papa Francisco, na missa matinal, repercutiu na mídia de uma forma, no mínimo, inusitada. Após mencionar que o cristão de vida dupla “escandaliza os pequeninos”, usando uma comparação com a frase “é melhor ser ateu do que católico”, as manchetes destacaram justamente essa parte da homilia, como se esse fosse o seu tema central.

O Padre Reginaldo Manzotti comentou o assunto. Leia o texto na íntegra:

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Queridos filhos e filhas,

As últimas notícias que li, ouvi e vi sobre o Papa Francisco me levaram a uma reflexão: “É melhor ser ateu do que cristão hipócrita”? As aspas da pergunta foram manchete e fazem referência a uma afirmação que o Pontífice teria feito na homilia de quinta-feira, dia 23 de fevereiro, durante missa matutina celebrada na Casa Santa Marta, na Cidade do Vaticano. Em primeiro lugar, e é bom esclarecer, as palavras do Papa estão fora de contexto nas notícias publicadas. Não foi esse o tema da homilia, e sim, a necessidade de um comportamento cristão coerente em nossas vidas. Em seu discurso, o Papa Francisco defendeu que um bom cristão não leva uma vida dupla, ou seja, que o bom cristão não tem dois comportamentos, um durante a Santa Missa e outro em casa, no trabalho ou onde quer que seja. Que não dá para ser bom ou mau apenas quando melhor convém.

A crítica é válida, e eu não me canso de repeti-la quando estou celebrando Missa no Santuário de Guadalupe, ou quando estou no programa Experiência de Deus: o bom cristão deve caminhar para uma vida reta, na direção de uma existência santa, dentro dos preceitos da Palavra de Deus. E o que isso quer dizer? Não é que Deus só nos quer perfeitos. Não! Ele nos quer coerentes, justos, verdadeiros e motivados a endireitar nossos defeitos de pecadores que somos. Por isso, quando o Papa Francisco usou a frase “é melhor ser ateu do que cristão hipócrita”, no contexto correto, ele apenas mencionou o que as pessoas falam por aí a respeito dos cristãos que se comportam maravilhosamente bem diante do altar, na casa de Deus, mas agem completamente diferente na rua e nas esquinas da vida, desrespeitando o próximo, enganando, traindo e permitindo que o pecado assuma o controle no lugar da vida plena em Cristo.

Apropriando-me de um trecho da homilia polêmica que diz “não escandalizar os pequeninos com a vida dupla, porque o escândalo destrói”, pergunto: todos somos capazes de entender que o discurso do Papa Francisco se refere simplesmente se à falta de coerência? A falta de coerência em nossas vidas, em nosso comportamento, que pode nos destruir se vivermos o “escândalo” de falar de um jeito e agir de outro, se pregarmos a Palavra de Deus de frente e a derrubarmos pelas costas, se não respeitarmos a nós mesmos como criação à imagem de semelhança de Cristo. “Quando vocês rezarem, não sejam como os hipócritas, que gostam de rezar em pé nas sinagogas e nas esquinas, para serem vistos pelos homens” (Mt 6,5).

Agora que o verdadeiro significado a homilia está exposto, a manchete das notícias ainda faz sentido? O Papa realmente disse que “é melhor ser ateu do que cristão hipócrita”? Não! O Papa nos quer cristãos em todos os momentos, nos mais fáceis e nos mais difíceis, nos mais felizes e nos mais tristes, mantendo o nosso caminho à luz da Palavra. “Portanto, procurem agir de acordo com todas as coisas que Deus lhes manda. Não se desviem nem para a direita nem para a esquerda” (Dt 5,32).

Que Deus abençoe!

Padre Reginaldo Manzotti

Veja o trecho da homilia do Papa Francisco

(imagem destaque da notícia reprodução Rádio Vaticano)

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