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Coluna Dra. Liseane C. Almada Selleti

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Conflitos

Porque os temos?

Como podemos eliminá-los?

Como se processam as dificuldades dentro de uma pessoa?

Para lhe dar essas respostas, preciso trazer ao seu conhecimento a minha prática terapêutica, as respostas que o inconsciente abordado em terapia revela.

Como já expliquei no outro artigo sobre o Amor Efetivo, quando surgimos na concepção, através da ADI (Abordagem Direta ao Inconsciente), nos vemos vindos de uma Luz concomitantes ao encontro sexual dos pais, assistindo numa perspectiva de fora, e de cima os pais e o encontro do óvulo com o espermatozóide.

 A esta nossa dimensão que assiste ao encontro dos pais num desejo enorme de encontrar ali muito amor, que surge da Luz, na ADI foi dado o nome de Eu Pessoal. Quando é abordado em terapia se questiona: como é esse seu Eu ali? E a pessoa vê que é perfeito, completo, forte, único, capaz, sadio, sábio, amoroso...

 E quando sai da Luz recebe dons específicos, qualidades, capacidades e uma missão para desempenhar aqui nesta existência terrena. A pessoa quando faz essa experiência vive um momento de profunda alegria, ao encontrar sua essência e entender porque fez determinadas escolhas na sua vida, descobre que essas escolhas estão alicerçadas naquele desígnio da Luz para ela. A pessoa se vê muito feliz sentindo-se capaz, confiada, importante, e nesta expectativa, para desempenhar tal Missão, que é única, para cada um de nós, é que entramos no zigoto que é o resultado da união do óvulo com o espermatozóide.

 O óvulo e o espermatozóide se unem para formar o corpo, que é a “casa” que abrigará o Eu Pessoal, para que ele possa desempenhar a missão que a Luz lhe confiou.

 A Luz não olha para a condição do encontro dos pais, pois já lançou dentro de cada homem e mulher a capacidade e a sabedoria para viverem em plenitude este momento em que se unirão para oportunizar, a existência de um novo ser humano, então a Luz olha para a Missão que espera e confiou a este EP.

 Esta é a nossa partida, entramos em um veículo que se chama corpo, decolamos para uma viagem dentro deste veículo que durará mais ou menos 90 anos. Nosso primeiro destino é permanecer nove meses no ventre de uma mulher que é nossa mãe. A estada nestes nove meses já é fazer acontecer algo na vida dessas pessoas que são os pais, parentes, amigos, aí o EP da criança já transforma, faz acontecer algo de melhor na vida da mãe, do pai,... E assim com um sentido, passamos pela infância, adolescência, vida adulta, até cumprirmos nossa missão e retornarmos ao ponto do qual partimos, a Luz. Um dia irá fundir o motor desse “carro”, será o dia em que iremos retornar com os resultados dos quilômetros rodados, com o nosso “pacote”, com a nossa encomenda, e a Luz nos aguarda.

 Vou relatar um trecho de cada instância da nossa existência em que o inconsciente abordado relatou, e a pessoa reviveu momentos onde seu sentido de vida apareceu.

 Gestação:

Vejo meus pais sentados, o pai passa a mão na barriga da mãe. Como reage sua mãe? Fica muito contente e acaricia o pai. E o bebê na barriga da mãe o que conclui de si? Eu trago amor, união, eu aproximo meus pais.

 Infância:

Estou no parquinho com meu irmão e empresto a pazinha de areia para ele. O que acontece com seu irmão? Sorri. O que você está sendo aí? Amiga. Sou causa de alegria.

 Adolescência:

Limpo a casa para minha mãe, passo pano. E a sua mãe? Sente um alívio, pois pensa que se não tivesse eu, não daria conta. O que você está sendo aí? Boa, ajudo, sou o braço direito da minha mãe.

 Adulto:

Ajudo uma senhora na rua com suas compras. E ela como reage com seu gesto? Fica surpresa. O que pensou de você? Que eu a amo!

 São estes momentos que dão sentido à existência humana.

São exemplos somente para ilustrar e poder ajudá-lo na reflexão a que me proponho.

Mas se viemos para o bem, para amar, ajudar, servir, acolher, ensinar, construir, unir, ligar, compreender, acompanhar, encantar, fortalecer, encorajar, consagrar, perdoar, restaurar, completar, gerar o amor, a alegria... Porque temos os conflitos? As brigas? As discussões? Os problemas? Porque Julgamos, interpretamos as atitudes de quem está ao nosso lado.

 Pois 90% dos nossos problemas estão na forma como interpretamos o outro.

 Vou relatar a você algumas dificuldades que as pessoas trazem, como exemplo, em busca de ajuda.

Vejo uma falha ali no trabalho e me culpo pelo que aconteceu. Preciso contar para todos, as coisas importantes que acontecem comigo, parece que tenho que me vangloriar. Contar vantagem...

 A você, amigo leitor, pergunto:

Que tipo de pensamento surge dentro de você a respeito dessa pessoa?

Que comentários são comuns numa reunião ou roda de amigos sobre essa pessoa?

E quando aborda o seu inconsciente veja o que está por trás dessa dificuldade! Veja o trauma que tem dentro dela.

 P. 01 (primeiro mês de gestação) a mãe está sentada no sofá, inquieta.

T. Qual pensamento tem dentro dela?

P. Eu queria que meu marido estivesse aqui comigo.

T. O que sua mãe pensa de si?

P. Ele me deixou só.

T. O que houve antes para a sua mãe pensar isto?

P. Pai avisou: “hoje vou ficar todo dia fora” e sai sem dar um beijo e um abraço.

T. E a sua mãe o que concluiu?

P.Ele não precisa de mim, me deixou sozinha.

T. E o bb o que concluiu de si?

P. Sou insignificante.

Comentário: O bebê interpretou que é insignificante, carrega esse registro negativo sobre si para sua vida, e por isto precisa contar tudo...

 Não consigo tomar decisão.

 A você amigo, leitor, pergunto:

Que tipo de pensamento surge dentro de você a respeito dessa pessoa?

Que comentários são comuns numa reunião ou roda de amigos sobre essa pessoa?

E quando aborda o seu inconsciente veja o que está por trás dessa dificuldade! Veja o trauma que tem dentro dela.

 1 ano.

P. Eu escalei o berço e tombei com berço junto.

T. E daí?

P. A mãe veio e disse: “você não pode ficar sozinho que só sabe fazer coisa errada”!

T. E você o que concluiu?

P. Sou errado.

Comentário: O menino registrou que é errado e carrega consigo esse registro no inconsciente, por isto não toma decisão, é pacato, tem medo de errar.

 
Não consigo falar, quando sou convidado para algo, quero ir ou fazer, mas arrumo desculpa.

 
A você amigo, leitor, pergunto:

Que tipo de pensamento surge dentro de você a respeito dessa pessoa?

Que comentários são comuns numa reunião ou roda de amigos sobre essa pessoa?

E quando aborda o seu inconsciente veja o que está por trás dessa dificuldade! Veja o trauma que tem dentro dela.

 
08. (Oitavo mês de gestação)

P. A mãe em casa chateada, fala para a tia, não vou junto ao passeio porque estou grávida.

T. E o bb o que concluiu de si?

P. Eu sou empecilho.

Comentário: No oitavo mês esse bebê registrou: sou empecilho, hoje para não atrapalhar, evita estar com as pessoas.

 
Falo na hora errada, dou muito “fora”, entro em conversas que eu não devo entrar.

 
A você amigo leitor pergunto:

Que tipo de pensamento surge dentro de você a respeito dessa pessoa?

Que comentários são comuns numa reunião ou roda de amigos sobre essa pessoa?

E quando aborda o seu inconsciente veja o que está por trás dessa dificuldade! Veja o trauma que tem dentro dela.

 
01.

P. Mãe preocupada. Fala para o pai: Nós não vamos conseguir conciliar as dívidas e o bb. Tiro o bb? É começo da gravidez, ainda dá tempo de tirar.

T. E o bb como reagiu?

P. Se encolheu, se sentiu rejeitado, Eu sou um atrapalho.

Comentário: Esta pessoa é aquela que atrapalha mesmo...

 

Tenho medo de errar. Coloco defeito nos outros, para que outra pessoa não faça o que eu não consigo fazer.

 
6 anos.

P. Estou na sala de aula, a professora me bate com a régua e fala: “você nunca vai ser nada na vida”!

T. E você o que concluiu de você?

P. Sou incompetente.

 
Penso que estou no lugar errado, na hora errada. Falo coisas erradas em momentos errados, sou inadequada.

 

02.

P. Mãe pensa: “talvez não é o momento certo de eu ter outro filho, seria melhor ficar só com um.

T. E o bb como reagiu?

P. Me torci lá dentro, fiquei triste.

T. O que vc concluiu?

P. A mãe não me quer, vim no momento errado. Sou inadequada.

 

E assim são muitos os registros negativos que uma criança faz na gestação, infância e adolescência. Sendo a fase determinante a da gestação, porque nesta fase a criança é como um CD virgem que vai registrando os fatos como ela entende. Por isto a necessidade de um ajustamento conjugal para a saúde psicofísica e espiritual de um ser humano.

 

Por trás das dificuldades de uma pessoa que muitas vezes julgamos como chata, metida, não se toca, e passamos a isolar tal pessoa, tratá-la com grosseria ou indiferença, existem registros como:

Sou burro

Não tenho lugar

Sou demais

Não sou homem

Não quero existir...

 

E esta pessoa sofre muito pelo que ela carrega e pelo tratamento que damos a ela, pois ela não tem consciência do seu comportamento na maioria das vezes, pois ele é fruto e conseqüência de traumas.

 

E cadê o Eu Pessoal? Está escondido lá dentro, por trás dos registros negativos, dos condicionamentos. E essa pessoa sofre um monte porque quer desempenhar aquilo que a Luz lhe pediu, quer agir de acordo com o que a Luz lhe confiou e os seus Registros negativos não permitem sair para fora o que seu EP carrega. É mais ou menos como dizia São Paulo, Faço o mal que não quero e não consigo fazer o bem que quero.(Rm 7,15ss)

 

A pessoa que comete um erro é a primeira a sofrer, ela não precisa do nosso julgamento, se é criança precisa da nossa orientação, se é adulto, da nossa ajuda. Precisa que a acolhamos, que a ajudemos a ver com muita caridade, com muito amor, paciência, aquilo que não está conseguindo perceber, que está fazendo por conta de seus registros negativos. Ela somente vai mudar se sentir em você, em mim um amor que a acolhe, que não julga, isto não quer dizer que você concorde com o erro, mas que você a acolhe...

 

Então faço um convite a você, a começar fazer um exercício de olhar para o EP do outro, do seu esposo, esposa, amigo, amiga, sogra, sogro, filho, filha...

Saiba que o EP do outro saberá quando seu olhar for de acolhida, de compaixão, de misericórdia, pois os nossos EP se comunicam.

 

Foi por meio dessas revelações do inconsciente que passei a entender porque Deus é misericordioso e porque Ele disse na cruz: “Pai perdoa-lhes porque não sabem o que fazem”. Penso que Jesus tenha refletido assim: se soubessem o que estão fazendo com certeza não fariam.

 

E porque não sabem?

 

Porque têm traumas que lhe fecharam a consciência num determinado momento de suas vidas, e certas circunstâncias acionam tais traumas, registros negativos, e a pessoa passa a agir pelo inconsciente perdendo a consciência. Esta sua atitude negativa fica registrada dentro dela, e num determinado momento de sua vida se dará por conta do que fez, seja aqui durante sua existência ou após a morte, no retorno para a Luz.

 
Existe um momento em nossa vida em que vamos nos dar conta disso tudo, como disse, aqui ou após deixarmos o “veículo” do EP, acontece um arrependimento e se esse momento é no retorno para a Luz a pessoa se reencontra com aquela Luz que lhe acolhe com muito amor e um amor incondicional. O amor condicional é nosso e não da Luz, então é bem provável que vamos encontrar pessoas nesta Luz que nós julgamos, e que entraram primeiro que nós que nos julgávamos “certos”.

 
Por isto está escrito que muitos ladrões e prostitutas nos precederão no Paraíso e retornarão direto para a Luz.

 
E nós que nos dizemos os “certos”, ficamos questionando, julgando e medindo as atitudes dos outros, sendo que eles não fazem ou erram porque querem, mas porque têm problemas, traumas... e assim não nos permitimos envolver pelo amor e a lógica divina que está dentro de nós através do EP.

 
Então te convido mais uma vez a acolher, amar as pessoas que estão ao seu lado, como elas são, lhe garanto que já é um imenso sofrimento ser como são, e a sua postura diante delas a machuca mais ainda, não as critique, acolha.

 
Façamos como Deus e digamos como Jesus: Pai perdoa-o(a) porque não sabe o que está fazendo, por    que se soubesse não faria.

 
Lembro, que temos uma vida só, ela passa rápido demais e depois não teremos outra para fazermos diferente o que não fizemos bem. Não teremos outra para tratarmos melhor aquela pessoa que tinha um trauma... Então não vamos deixar para depois o que podemos mudar em nós agora, não queira mudar o outro, o outro precisa ser acolhido, a mudança tem que ser minha.

 
Peço que a Luz Original, que está dentro de você no seu EP, lhe dê força, coragem, para acolher tantos Eu Pessoais que estão escondidos dentro de tantas pessoas que estão muito próximas a você. E que se não for você a acolhê-las quem as fará? Quem as ajudará?

 
Renovemos nesta semana junto com Jesus aquela frase que Ele disse na Cruz, Pai perdoa-os, e façamos dela o nosso lema para podermos ter uma vida mais plena, de acordo com o desejo do nosso EP e da Luz para com cada um de nós.

 
Releia o artigo sobre o Amor Efetivo e veja como você é capaz, como somos capazes de Amar nesta dimensão.

 
Meu abraço, no desejo de tê-lo ajudado um pouquinho mais.

 
Liseane Selleti

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