O padre Reginaldo Manzotti é destaque do "Jornal de Opinião" de Belo Horizonte/MG.
Leia parte da entrevista que o padre concedeu ao Jornal:
Ser padre, para mim significa, acima de tudo, exercer um papel importantíssimo no mundo hoje, é ser uma ponte entre o humano e Deus. É uma responsabilidade grande, porque as pessoas estão necessitadas de Deus e não sabem muito onde encontrar. Então, ser padre para mim é ser o homem de Deus no mundo.
A maior dificuldade é ser fiel à verdade. Falar a verdade do evangelho acaba criando muitas inimizades. Por exemplo, quando a Igreja se pronunciou contra a proposta de direitos humanos do governo que valorizava o aborto, teve-se uma reação contrária muito grande, criando uma imagem negativa da Igreja. No entanto, a Igreja foi a instituição que se levantou e fez o governo repensar sua posição de legalização do aborto, e o governo continua repensando, percebendo que a Igreja é profética. Então, a maior dificuldade que eu percebo, como padre, é ser fiel à verdade de Jesus Cristo. Ter coragem para dizer à juventude o valor da castidade, por exemplo. Mas quando o padre, diante de uma sociedade que aceita o divórcio, fala em favor do casamento indissolúvel, ele cria inimizades. Portanto, uma das maiores dificuldade que eu enfrento, principalmente no rádio e na TV, é falar a verdade doa a quem doer.
Alegria é ver essa primavera da fé. Sinto que estamos vivendo a primavera da fé, as pessoas estão sedentas de Deus. É uma alegria poder ser o regador, porque na verdade, a água é Jesus Cristo e o padre é um regador. A gente se abastece da água para ir molhar essas flores que estão brotando no jardim da sociedade. Eu sinto essa alegria na celebração com o povo vibrante, na juventude que está buscando a Igreja, nas famílias que estão se voltando para Deus, isso tudo traz muita alegria à vida sacramental.
Com certeza, isso traz inspiração em todos os aspectos. Na ação pastoral, na ação evangelizadora, na dimensão social e missionária. De modo particular, me traz inspiração para os programas de rádios, ao compor uma música, ao escrever um artigo...
O meu despertar vocacional foi muito cedo. Entrei no seminário com 12 anos e minha família teve um papel determinante. A decisão de entrar foi minha, eu nem consultei meus pais. Escrevi por conta e risco a carta para o seminário que gostaria de entrar, meus pais ficaram sabendo depois, quando o padre foi me visitar já com a carta em mãos. Mas, claro que a influência foi do meu pároco local, um cônego. Olhando para ele, vendo a vida e o sacerdócio dele, me senti estimulado para esta vida. Então, duas coisas formam muito importantes para mim, a família e o testemunho do sacerdote na minha paróquia.
Tenho que administrar a rádio, a televisão, a paróquia e os shows. Só para este ano de 2010 temos mais de 500 convites para shows. Claro que não vamos conseguir fazer todos, mas tento conciliar com discernimento, por exemplo, eu sou padre de missa diária na minha comunidade. Então, em um final de semana fico na minha paróquia e no outro faço eventos fora. Concilio meu dia-a-dia entre rádio, atendimento paroquial, e produção de material como, por exemplo, o livro que estou terminando agora “10 respostas que podem mudar a sua vida”. Nesse sentido tento conciliar meio que no cronômetro, mas isso é uma questão de disciplina e discernimento.
Eu não tinha consciência disso, foi a realidade que me instigou. Há sete anos comecei este trabalho e não imaginava que fosse tomar essa proporção. E eu vejo que é uma resposta à própria Igreja, o próprio Documento de Aparecida pede que estejamos sempre em estado permanente de missão. Portanto, acredito que este trabalho que estou fazendo, vem como resposta a esse processo missionário de evangelizar. Hoje são 567 emissoras, só no dia 12 de janeiro entraram mais 10 novas emissoras que transmitem o programa Experiência de Deus, que hoje chega a todo o Brasil. Isso mostra que a população está precisando. Eu não tinha consciência, não programei isso, foi uma conseqüência da demanda.
Primeiro, eu vejo essa acolhida com muita responsabilidade, porque é aquela história: somos eternamente responsáveis por aquilo que cativamos. Quando comecei esse trabalho, meu diretor espiritual me fez a seguinte pergunta: “você tem consciência da responsabilidade que está assumindo na vida das pessoas?” Eu disse que achava que tinha. Ele voltou a repetir a perguntar. “Você tem consciência?” E eu afirmei que tinha. Ele disse então que, “a partir do momento que você se torna referência para uma pessoa, se você cai você derruba muita gente, se você cresce você leva muita gente”. Então, eu vejo tudo isso com muita responsabilidade.
Segundo, eu tento ser muito verdadeiro e também autêntico em tudo que digo. Às vezes, no rádio, sou um pouco duro nas respostas, mas se a pessoa me procura é porque quer uma orientação. Então eu não vou com água com açúcar, pois a palavra de Deus não é água com açúcar. Como disse São Tiago, a palavra de Deus é como uma faca de dois gumes, que corta. Eu tento levar a pessoa a um amadurecimento na fé. Num primeiro momento, talvez a pessoa fique ligada a mim, ao padre Reginaldo, mas num segundo momento ela entende que a evangelização que pretendo passar é um vínculo da pessoa à comunidade, um reavivamento da fé, é um comprometimento com a Igreja.
Jornal Online
Edição 1077 - 1 a 7 de fevereiro de 2010
Padre Reginaldo Manzotti: Evangelizar é preciso !
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Entrevista: Henrique Ulhôa
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Fonte:http://jornaldeopiniao.com.br/
Notícia publicada em 05 de Fevereiro de 2010, às 17h39.
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