CRIANÇA: QUEM É ELA?
Numa determinada época todos fomos criança... e até hoje ela continua dentro de nós, principalmente se esta fase tenha nos deixado marcas tanto positivas quanto negativas...
Para que as crianças de hoje não venham ser adultos sofridos, angustiados, bloqueados, inseguros, medrosos, vazios, sem amor, como alguns de então, é que proponho esta reflexão...
Mas enfim quem é a criança?
É um ser humano com sentimentos, com capacidades, criatividade, alegria, entusiasmo, inteligência e acima de tudo um ser com muito amor para dar e receber.
É um ser que sente e pensa, porém ainda não tem a linguagem e o raciocínio lógico desenvolvido por completo. Em nível de sentimento processa tudo, sente, sofre, magoa-se, alegra-se, entende e guarda tudo no silêncio da sua interioridade.
Não é porque possui uma estatura baixa, não fala corretamente, não é letrado... que não lhe devemos consideração. Acima de tudo a criança deve ser tratada com o mesmo respeito com que tratamos um adulto, seja ele quem for.
Porque alguns filhos hoje tratam os pais com muita estupidez, desrespeito e nada de amor? Eles respondem à maneira como foram tratados... Nós colhemos o que plantamos, por isto, plante respeito, amor, consideração que os colherá também.
Você está numa conversa com adultos e um outro adulto lhe interrompe, você educadamente não para um minuto, atende-o e diz: “só um minutinho que eu já falo com você”, ou, “licença que estão me chamando”? E se é uma criança a resposta é a mesma? Ou é: “Não me interrompa seu mal educado! Você só serve para atrapalhar! Sai daqui idiota! Cale a boca! Etc.
Porque se age com a criança diferentemente do adulto? Só porque pensam que o entendimento dela corresponde ao tamanho?
Aí que está o problema! A criança tem tamanho físico menor, mas seu entendimento, sua capacidade de compreensão é como a do adulto. Ela sente, pensa, percebe a diferença com que é tratada, sofre e silencia.
Ao ser tratada com tal diferença vai criando dentro de si muitos registros negativos de menos valia, de inferioridade, de incapacidade, passando a expressá-los em suas circunstâncias seja na própria infância, adolescência, ou vida adulta. E os pais vêem perguntar por que seu filho tem tal comportamento???!!!!
A criança percebe a hostilidade, a indiferença, ela sabe quando alguém é honesto, é sincero, quando alguém age com cinismo, sarcasmo, ela não sabe dar nome a essas expressões, mas sente e rebela-se contra quem é assim com ela.
Lembre-se que a criança é o reflexo do que vivencia em casa, é o reflexo do tratamento que os pais têm entre si. Se você quer ajudar seu filho ou a criança que está ao seu lado, comece por tratá-lo com amor, dignidade, respeito, e acima de tudo como um ser humano que possui as mesmas necessidades e desejos que você. Dê-lhe o exemplo em tudo.
Aparece muito em terapia, na ADI, cenas de um adulto se expressando da seguinte forma à criança diante de algo que ela fez de errado, ou derrubou um copo por exemplo, ou caiu, se atrapalhou para ler ou escrever: “seu burro, você não presta, você não vale nada” você só serve para atrapalhar, etc. Esta expressão do adulto para com ela, fica registrado em seu inconsciente para sempre, passa a ser a sua referência enquanto pessoa. E em muitos casos o inconsciente acata como a sua verdade o que transforma-se em bloqueios para a vida futura dessa criança, como exemplo, aparecem problemas como: dificuldade de tomar iniciativa, medo de se expor, falta de confiança, isolamento para não ser um atrapalho... Busca circunstâncias que se identificam consigo mesma, por exemplo, busca a droga porque em seu inconsciente está registrado que não presta, que é a pior coisa que aconteceu na vida dos pais, etc.
Muitas vezes percebo o adulto cobrando perfeição da criança, quando ele não o ensinou o caminho para chegar ao perfeito. O verdadeiro amor é aquele que ensina a caminhar para o perfeito, a trilhar o caminho das virtudes. Como? Orientando, dando o exemplo, respeitando, ajudando, NÃO CRITICANDO. Se a criança errou, mostre a verdade, mostre o certo, diga à ela: da próxima vez você consegue! Você é capaz! Eu confio em você! Parabéns, eu sabia que você ia conseguir! Elogie, cuide para que você não se refira à criança somente para criticá-la, ajude-a descobrir suas habilidades, suas virtudes. É natural errar, e virtuoso é o adulto orientar a criança na sua inexperiência, pois um de nós no lugar de uma criança que “falha” também poderia ser igual. Cuide para não ser hipócrita com ela, muitas vezes cometeu o mesmo erro que ela, e cobra que ela seja perfeita, aproveite e diga-lhe: comigo também já aconteceu isto, não se preocupe que é assim mesmo, é errando que aprendemos a fazer certo. Dessa forma vamos despertando nela que errar é normal no nosso desenvolvimento, assim vamos ajudando-a na virtude da humildade.
Falar em virtudes, a criança carrega dentro de si todas as potencialidades para ser um adulto sadio, equilibrado, forte, vitorioso, habilidoso, corajoso, determinado, amoroso, criativo, bondoso...
Tudo depende como a ajudamos, a orientamos, a acompanhamos no desenvolvimento, no seu desabrochar para a vida.
A criança é como uma semente.
Dá para dizer que a semente possui a árvore "in potencial”.
Está na semente a possibilidade de desenvolver-se, dar frutos, folhas, suco, transformar-se em alimento, porém esta semente para que corresponda ao seu potencial, ao que ela pode dar, precisa de cuidados, um ambiente propício para desenvolver-se, como: uma terra adubada, água, sol...
A criança também, possui dentro dela um potencial infinito, aliás desde a gestação, desde a concepção ela traz dentro de si este potencial, que são as capacidades, as qualidades que ela recebeu da Luz. Quando o adulto em terapia no método ADI/TIP, se vê diante do seu óvulo e espermatozóide, ele vê sua dimensão não física, fora dos gametas assistindo do alto, e aí se vê perfeito, sadio, livre, com várias qualidades, potencialidades. (relato que a pessoa faz, quando se submete à ADI, ao ver-se diante da sua concepção). Para que esse potencial se desenvolva, desabroche, a criança necessita de um ambiente propício (como a semente) precisa de um lar com amor para que ela consiga desenvolver-se com saúde, com equilíbrio. Precisa ser tratada com muito amor, muito carinho, delicadeza, respeito pela sua pessoa, sentir-se valorizada.
Precisa acima de tudo sentir o amor entre os pais.
É muito mais importante que seus pais se amem, que os veja unidos do que um amor individual de um para com a criança. É necessário este amor em particular, mas o amor entre os dois é fundamental.
O amor entre os pais é o ponto referencial, é a “água” principal para que as “sementes”
se desenvolvam, para que a criança desenvolva sua inteligência e habilidades. Diante disso vale a pena todo esforço dos pais para se entenderem nas suas diferenças.
Quando a criança vive em um ambiente de amor, tende a desabrochar com mais facilidade os dons que ela carrega em si.
A família é o espaço de formação do caráter. Como esta criança será no futuro depende do ambiente em que ela convive e se relacionam com ela. É na família que ela aprende a partilhar, amar, respeitar, perder, esperar, conquistar, perdoar, desculpar, compreender, honestidade, sinceridade...
O limite é um aspecto importantíssimo!
A criança precisa de limites, precisa escutar o Não, para que ela aprenda a lidar com a frustração, aprenda a perder. Claro que este limite precisa ser dado com muita clareza, discernimento e amor. É necessário que o NÃO seja explicado, que ela saiba o porquê do limite que está sendo dado. Converse, dialogue, não diga não por não, justifique o seu “não”. No nosso dia-a-dia, a vida nos diz NÃO constantemente e diariamente, por exemplo, parar no sinal vermelho é um limite, chegar no trabalho no horário certo é um limite, quando aprendemos isto? Quando aprendemos a ser responsáveis? Na infância.
Não pense que a criança para ser feliz precisa ganhar tudo que deseja. Não! Ela precisa conquistar aquilo que ela almeja. Ela precisa ter motivação para lutar por algo. Caso contrário poderá cair em depressão, perder o sentido pela vida, pois não precisa lutar por nada, tem tudo pronto nas mãos... É preciso que os pais tenham equilíbrio, cumplicidade e discernimento para os dois juntos saberem a hora de dar algo, ceder algo, e a hora de permitir que o que a criança deseja seja realizado ou não.
É necessário que a criança tenha pequenas responsabilidades de acordo com sua idade, tamanho e maturidade.
Solicite ajuda de seu filho! Fale a ele que sua ajuda lhe é importantíssima!
Fale o que se passa de bom em seu coração sobre ele(a).
Ressalte tudo de bom que ele fez. Valorize-o! Não deixe passar em branco um bom feito do seu filho, do seu aluno, do seu sobrinho, enfim daquela criança que está ao seu lado.
Cuidado para não repetir com seus filhos o padrão de educação que você recebeu! Não fique julgando seus pais, pois eles não sabiam fazer diferente, também reproduziram como foram educados e tratados. Naquela época não havia acesso ao conhecimento como se tem hoje. O que eles fizeram com certeza foi pensando que estavam fazendo o melhor, suas intenções eram as melhores, mas o meio e a forma como faziam não eram.
Na TIP, o inconsciente quando abordado mostra esses pais sofrendo muito por terem agido assim com seus filhos. Por saberem hoje que deixaram algo a desejar e que poderiam ser diferente.
Portanto, hoje basta recomeçar se você se percebe agindo de forma que não seja o melhor para seu filho, RECOMECE como se agora fosse o primeiro dia de sua existência, e a partir dessa leitura o seu primeiro dia com ele. Tenho certeza que isto que você se dá conta que estava fazendo com ele(a), é porque não sabia fazer diferente, por não conhecer, por estar repetindo um padrão de comportamento aprendido ou por algum sofrimento que você carrega. Eu lhe compreendo, mas se você quer agir, ser diferente, RECOMECE, estou aqui para lhe ajudar e lhe dar forças, acredite, é possível, o importante é a partir de hoje!
Se você percebeu que errou com seu filho, peça-lhe perdão, este gesto de humildade fará seu filho reconhecer que você quer o melhor para ele, o ajudará a reconhecer o amor em você, e estará também aprendendo a pedir perdão e perdoar. Um gesto inevitável no decorrer de nossa existência. Para que não sejam pessoas amarguradas, rancorosas, como muitos adultos de hoje, pois estes não aprenderam dar nem receber perdão.
Você já pensou como seria bom se continuássemos sendo como crianças, com o coração de criança? Com certeza nosso mundo seria diferente. Criança não vê defeito, criança, não guarda mágoa, não faz fofoca, não tem inveja, se tem aprende com o adulto.
O amor tem o poder de curar, resgatar, salvar e fazer a criança pura, meiga, inteligente, forte, amiga... que está dentro do seu filho voltar a viver. Se for preciso peça-lhe perdão, e diga-lhe o quanto você o ama.
É importante você abraçar seus filhos, dizer o quanto os ama. A alegria que eles lhe proporcionam.
Toda criança tem um sentido para estar aqui, tem um para que existir. Você já entendeu para que seus filhos existem? Fale a eles... Faça-os saberem o quanto são importantes para você, para vocês casal, família...
Uma criança tem o poder de unir, salvar, alegrar, trazer o amor, a alegria, a partilha... enfim, descubra o porque e o para que seus filhos existem na sua vida, na sua família, na vida de vocês enquanto casal.
Cuide para não cometer injustiças com a criança. A injustiça é um sofrimento que deixa marcas profundas na interioridade dela. Crescendo um adulto amargurado, magoado, com muitas dificuldades de confiar nos outros.
Devemos ser sinceros em tudo com a criança. Ela sabe pelo inconsciente quando falamos a verdade ou quando a subestimamos em sua confiança.
A sexualidade é um aspecto importante em nós. Algo delicado também em nós, portanto devemos cuidar para que a criança cresça livre.
Este é um aspecto que se mal vivido na infância, adolescência, traz danos profundos para a vida futura.
Procure conversar abertamente com a criança, com muita sinceridade dentro do que é a verdade, e de acordo com suas curiosidades. Na medida em que a criança expõe seu interesse em saber algo, é porque ela já está pronta para receber uma orientação baseada na verdade. Lembre que a criança surgiu de um momento de encontro sexual, por isso ela tem este momento dentro de si como algo natural, é um referencial de profundo amor, então fale com ela com naturalidade.
Explique para ela o que é o sexo, que é o encontro entre duas pessoas, homem e mulher, que se amam e possuem compromisso uma com a outra. E quando vivem o Amor Efetivo, Amor Afetivo, (Veja nos demais artigos) este Amor pede um complemento que é o amor que se derrama no físico, através dos órgãos genitais do homem e da mulher. Aí eles vivem um amor que expressa e se derrama no físico, como um sinal concreto do amor que existe no coração dos dois. E aproveite para explicar como gera a criança, o ser humano. Explique que no pai existe uma sementinha chamada espermatozóide que é produzida nos testículos, e na mãe a sementinha chamada óvulo, que é produzida nos ovários, que quando se encontram os genitais, o genital do pai coloca dentro da mãe através do genital dela a sementinha dele para se unir com a da mãe e formar a pessoa. Portanto, você é o fruto do nosso amor.
A criança é a certeza da continuidade do amor na terra. Enquanto houver crianças, com certeza haverá amor, haverá a pureza, o perdão, a alegria, a espontaneidade, a esperança, sentido para vivermos.
Oriente para que a criança não permita que nenhum adulto lhe toque nas partes íntimas, com exceção da mãe, do pai ou do médico em caso de problema de saúde. Explique que somente deve acontecer quando for adulto, e tiver um companheiro(a). Ensine a criança que pode confiar em você e que você está com ela para orientá-la e ajudá-a em tudo que for necessário. Conquiste a confiança dela sendo compreensivo com ela, não a repreenda com agressividade, hostilidade, seja antes de tudo, um amigo.
A criança não nasceu sabendo o processamento das regras da vida, ela nasceu com o amor, para que cresça sadia e com equilíbrio precisa de um ambiente que lhe possibilite o desabrochar das virtudes que estão in potencial em seu EU PESSOAL. Ela precisa aprender. Então, não cobre dela o que ela não sabe. A obrigação é nossa como adultos e responsáveis por ela de a prepararmos para que enfrente a vida com maturidade, serenidade e acima de tudo muito equilíbrio. O que nos dá o verdadeiro equilíbrio é a vivência autentica do AMOR, e no amor. Pois a criança conhece esta vida, ela se encontra quando vê adultos que vivem de amor e no amor. O amor na criança é como um radar, que quando vê o amor, sente amor, ela se identifica, cresce e desenvolve-se, caso contrário ela bloqueia todas as áreas de suas potencialidades.
Quero deixar-lhes um convite: vamos juntos viver para que os adultos de amanhã tenham menos sofrimentos que os de hoje? Dou-lhe a certeza que o Amor, o respeito, a consideração, com que tratarmos as crianças, o amor entre os pais, elas serão melhores adultos e teremos um mundo mais humano, onde o amor será o referencial para as relações.
Lembre: O que mais importa para a criança é o AMOR ENTRE OS PAIS, a unidade e a cumplicidade entre os dois.
Liseane C. Amada Selleti
Quem escreve os textos da Coluna Terapêutica é Dra. Liseane C. Almada Selleti CRP: 08/06529 - (41) 3027-2005 e 3027-5402
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